Hoje o Escuro vai Atrasar Para Que Possamos Conversar


Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo apresenta o espetáculo infantil   “Hoje o Escuro vai Atrasar Para Que Possamos Conversar”

  do Grupo XIX de Teatro

 

Em seu primeiro espetáculo infantil, Hoje O Escuro Vai Atrasar Para Que Possamos Conversar, o Grupo XIX de Teatro teve seu processo criativo inspirado pelo romance De Repente, Nas Profundezas do Bosque, do escritor israelense Amós Oz. A peça estreia no dia 10 de março no Centro Cultural Banco do Brasil – São Paulo, onde segue em cartaz até 23 de junho, com sessões aos sábados, às 11h. O elenco conta com a participação de Janaina Leite, Juliana Sanches, Rodolfo Amorim, Ronaldo Serruya e Tarita Souza.

 

Com dramaturgia de Ronaldo Serruya e direção de Luiz Fernando Marques e Rodolfo Amorim, a peça se passa em um triste vilarejo onde não vivem mais animais, nem domésticos e nem silvestres. Algo muito estranho aconteceu no passado que provocou a fuga dos bichinhos e os transformou em seres quase mitológicos, lembrados apenas nas aulas da professora Rafaela.

Nesse lugar misterioso, vivem os colegas Santi, Clara e Luna, que, depois de sofrer bullying de seus colegas também desapareceu. Desconfiados de que Luna teria sido raptada pelo Espírito do “não-sei-o-quê” do bosque, Santi e Clara partem floresta a dentro em busca da amiga.

A encenação apresenta ao público delicados temas discutidos pela obra de Amós Oz, como os efeitos da discriminação e do tratamento indesejado, como o bullying isola as pessoas e a consciência de que o “outro” também tem medos, fragilidades e inseguranças. A ideia é fazer com que as crianças entendam a alteridade como uma extensão do eu, desconstruir o processo vicioso de desqualificação de um indivíduo por causa de suas diferenças e mostrar que as pessoas formam juntas as conexões do tecido social de uma comunidade.

“Queríamos discutir como desmontar uma estrutura normativa que permite a perpetuação desse mecanismo de opressão social na escola. Eu também me inspirei na minha própria história, pois fui vítima de bullying e vivenciei esse sistema opressor. E, na época, não havia uma estrutura para discutir isso, em nenhuma instância. O bullying era tratado como algo normalizado dentro daquele universo”, comenta o autor Ronaldo Serruya.

 

PROCESSO CRIATIVO

Quando o Grupo XIX decidiu montar seu primeiro espetáculo infantil, os artistas se reuniram para elencar quais temas gostariam de abordar. A fábula de Amós Oz, cuja literatura adulta já era discutida na companhia, logo veio à tona quando eles escolheram tratar do respeito às diferenças. “Outra coisa bacana é que, embora o autor tenha classificado o livro como uma história infantojuvenil, não faz concessões para tornar sua linguagem mais simples. Isso é muito legal porque mostra que não precisamos menosprezar o poder de ‘metaforização’ do imaginário infantil. A literatura tem muitas narrativas poéticas que permitem que criança possa exercitar seu poder de imaginação”, fala o dramaturgo.

Escolhido o texto que inspiraria à encenação, o desafio passou a ser como os artistas usariam a linguagem desenvolvida pela companhia ao longo de seus 16 anos para montar uma peça infantil. “Pensamos em transformar o espetáculo em uma experiência itinerante, de modo que ela tivesse uma relação com o espaço. Chegamos a ideia de convidar a plateia para um passeio fora do teatro e dentro de sua arquitetura, passando pelo palco, pelos urdimentos, pelas coxias. Outra questão foi a interatividade, ou seja, a tentativa de promover o diálogo direto com as crianças, o que fazemos sempre em nossas peças adultas”, comenta Luiz Fernando Marques.

Nessa experiência teatral imersiva, o cenário funcionará como uma instalação inspirada no trabalho da artista mineira Lygia Clark, usando estímulos com o escuro, claro, barulhos e diferentes texturas para provocar os sentidos da plateia. O bosque da história será construído com adereços pela ocupação de cada um dos espectadores.

“A encenação brinca um pouco com essa busca pelos animais. Para chegar a esse ponto, eles fazem um passeio pelos corredores, escadas e algumas salas do CCBB. Em um primeiro momento as crianças assistem à peça com um cenário pintado e têm uma experiência. Dentro do bosque, têm outra experiência. Eles podem interagir com os elementos aos quais eles assistiram antes e vivem uma inversão de ponto de vista”, acrescenta o diretor Rodolfo Amorim.

A paisagem sonora da peça, pensada pela diretora musical Tarita Sousa, também contribuirá para essa experiência. Os sons da natureza e dos bichos serão recriados com materiais naturais, como paus de chuva do cerrado brasileiro, folhas secas e de vários tipos de vegetação, bambus e gravetos, combinados com teclado e violão.

Já os figurinos de Juliana Sanches são diferentes quando a história se passa na aldeia e na floresta. No primeiro lugar, os personagens usam roupas que rementem à uma representação tradicional da infância; no segundo, trajes que se transformam, com sobreposições quebrando os paradigmas do masculino e feminino.

Hoje o Escuro Vai Atrasar_Grupo XIX de Teatro_Foto Jonatas Marques

Ficha técnica:

Criação: Grupo XIX de Teatro. Direção: Luiz Fernando Marques e Rodolfo Amorim. Dramaturgia: Ronaldo Serruya. Atores-criadores: Janaina Leite, Juliana Sanches, Ronaldo Serruya, Rodolfo Amorim, Tarita de Souza. Trilha Sonora: Tarita de Souza. Figurinos: Juliana Sanches. Cenário: Luiz Fernando Marques e Rodolfo Amorim. Adereços: Felipe Cruz (Bosque) e Juliana Sanches (Aldeia). Cenotécnico: Zé Valdir. Costureiro: Otávio Matias. Produção: Cristiani Zonzini e Gabi Costa. Desenhos material gráfico: Ligia Yamaguti. Material gráfico: Rodrigo Pocidônio. Fotos, vídeos, mídias sociais e produção visual: Jonatas Marques. Assessoria de Imprensa: Adriana Balsanelli.

 

Serviço:

HOJE O ESCURO VAI ATRASAR PARA QUE POSSAMOS CONVERSAR

De 10 de março a 23 de junho. Sábados, às 11h.

Dia 30 de março e de 1 a 22 de junho – sextas-feiras, às 11h.

Duração: 60 minutos.

Classificação etária: Livre.

Ingressos: R$20 (inteira) e R$10 (meia-entrada).

 

CENTRO CULTURAL BANCO DO BRASIL – Rua Álvares Penteado, 112 – Centro.

Próximo às estações Sé e São Bento do Metrô

Informações: (11) 3113-3651/ 3113 3652. Capacidade: 90 lugares. Tem acesso e facilidades para pessoas com deficiência, ar condicionado, loja e Café Flashback.

Related posts