“Eu tenho orgulho de ser político”, afirma o presidenciável Ronaldo Caiado (DEM)


O Mariana Godoy Entrevista da última sexta-feira (29) recebeu o senador Ronaldo Caiado (DEM/GO), mais um possível candidato à presidência da República. Nesta entrevista da série que o programa realiza com os presidenciáveis, Caiado criticou os candidatos que insistem no discurso do ‘não político’, falou sobre o seu orgulho de pertencer à classe política – que classificou como uma atividade nobre – e citou a carreira exemplar como algo que o credenciaria a assumir um cargo no Poder Executivo, seja ele no Federal ou no Estadual.

O senador Ronaldo Caiado iniciou o programa respondendo se o partido o lançará como candidato à presidência da República no pleito de 2018 ou se optará por João Doria, com quem o DEM já teria feito alguns contatos nesse sentido: “Tivemos oportunidade de jantar com ele. Várias conversas já foram feitas. Nesse momento é hora de nós articularmos politicamente, nós não temos nenhuma restrição, não tem nenhum fato que impeça a vinda não só dele, mas de outros pré-candidatos que queiram concorrer dentro do Democratas. É um jogo totalmente aberto. Numa eleição majoritária, não adianta querer fazer artimanhas de cúpula. Candidato para ganhar eleição tem que ter voto, tem que ter capacidade de dialogar com a sociedade brasileira, tem que ter credibilidade. Hoje em dia não é tanto mais o conceito ‘o que é candidato de direita ou de esquerda’, é mais o conceito do candidato que seja honesto, que tenha uma vida pregressa capaz de dizer ‘olha como eu vivo a vida, como eu faço a minha política e como eu exerci os meus mandatos’, se o cidadão tem espírito público ou se, na verdade, é política para enriquecimento ilícito.” Ele ainda fez questão de salientar que foram “22 anos no Parlamento e não existe nada que desabone. Nunca desonrei o voto de um goiano”.

O jornalista Mauro Tagliaferri lembrou o senador que ele foi derrotado ao propor um teto para o financiamento público de campanhas eleitorais e questionou como ele custearia uma possível candidatura à presidência da República: “Nós temos que entender que nós vamos para uma campanha eleitoral no momento mais grave político do país, numa crise de proporções inimagináveis, com 14 milhões de desempregados, com a classe política desacreditada. Eu pergunto, é correto manter regras com o orçamento restrito para saúde, educação?” O senador prosseguiu: “Inicialmente, se tira de um orçamento um bilhão e 300 milhões de reais, dinheiro que seria utilizado para que chegasse nos municípios de nosso país em forma de escolas, de rodovias, de hospitais, enfim de tudo isso. Agora, como você explica isso à sociedade? É uma total falta de sintonia do Congresso com as ruas.” Caiado observou: “Você tem que fazer uma campanha eleitoral que eu chamo de ‘campanha cara limpa’. Quem pode andar nas ruas tem condições de ser candidato, quem não pode andar nas ruas do país não tem condições de ser candidato.” Ao apontar os custos das campanhas aos cofres públicos, ele admitiu: “Hoje a realidade nossa é uma campanha pé no chão”.

Um internauta questionou o senador sobre qual é a estratégia para administrar um país com tantos políticos envolvidos em esquemas de corrupção. Caiado respondeu: “Eu quero dizer uma coisa, em primeiro lugar. Eu sou um médico, eu exerço a profissão há 43 anos. Eu sou político com mandato há 22 anos. Vocês nunca me viram envolvido em nenhum escândalo, então eu quero deixar claro para a sociedade brasileira que eu tenho orgulho de ser político, que eu tenho orgulho de ser senador da República pelo estado de Goiás. E aqueles que pensam que, denegrindo a classe política, se constrói democracia, estão enganados. A política é, indiscutivelmente, algo responsável e sério. Os maus políticos não podem denegrir totalmente a política. Então, eu quero deixar claro que um presidente da República, ao ser eleito, se ele tem uma vida pregressa que o credencia a dar sinais de ética, de moral, de rigidez de princípios, ele tem credibilidade junto à sociedade para propor mudanças e sair da crise. Agora, quando o presidente está atingido de morte, do ponto de vista moral e ético, como é que a sociedade vai recepcionar qualquer medida que proponha sofrimento para a sociedade brasileira? Então, o gestor, o presidente, a figura do presidencialismo é a figura do presidente. É como o médico cirurgião, não adianta você mandar, com todo o respeito, a enfermeira na cabeceira do leito, é o médico. É aquele que operou que tem que estar na cabeceira do leito. Assim é o presidencialismo, é o presidente da República que tem que estar na frente da televisão, sem teleprompter, sem nada escrito”.

Ao falar sobre a rejeição popular ao presidente Michel Temer, Mariana Godoy perguntou ao senador se é mais fácil fazer reformas quando se tem a população ao lado. Caiado observou: “Eu já disse isso e repito. O presidente, quando propõe uma Reforma da Previdência, em primeiro lugar tinha que renunciar à aposentadoria dele. É o bom exemplo. Hoje, com as redes sociais, todo mundo sabe a vida de todo mundo.” Para o político, credibilidade é gerada quando o gestor dá o exemplo e ‘corta na própria carne’.

Ao ser confrontado com a gravação que colocou sob suspeita o senador Aécio Neves (PSDB/MG), Ronaldo Caiado concordou que a situação envergonha o Senado e defendeu que, após o impeachment da presidente Dilma Rousseff, o Congresso deveria ter sido dissolvido e deveriam ter sido convocadas novas eleições “Eu era o defensor da tese da antecipação das eleições para presidente da República e para todos os deputado e senadores. Essa é a realidade. Este modelo que está implantado é a continuidade do modelo que estava sendo executado no país. O que é o Michel Temer? Ele não é exatamente o suplente de um mesmo [modelo], o vice de um mesmo modelo? O que é que você vai esperar? O pé de manga não vai dar abacaxi, então essa prática continuou.” Questionado se Aécio deveria ser cassado, o político foi cauteloso: “Esse é um processo de rito. O Supremo está julgando. No momento em que o Supremo julga e encaminha para o Congresso Nacional, o Congresso Nacional responde imediatamente.” O senador fez questão de salientar que não defende criminosos, mas observou que Aécio Neves precisa ter a chance de se defender das acusações: “Eu nunca passei a mão na cabeça de quem quer que seja que esteja envolvido em escândalo. Tem que mostrar a cara dele e tem que provar, sim ou não.” Para Caiado, no entanto, Aécio não precisa deixar o Congresso para provar se é inocente: “Ele tem que ser julgado. Ele precisa ser julgado. O que a lei diz? Você não pode fazer pré-julgamento de quem quer que seja.” Caiado ratificou o discurso para enfatizar seu ponto de vista e dizer por que é prerrogativa do Senado julgar o caso do senador tucano: “Eu nunca passei mão na cabeça de bandido, eu nunca contemporizei bandidagem, nunca convivi com bandidagem. Agora, eu sou um homem que preza instituições. O que eu não admito é populismo, demagogia que amanhã venha desrespeitar as normas constitucionais, porque aí não é democracia, aí é vontade do humor de cada um”.

Ao ser questionado por internautas sobre como é possível mudar o cenário político se sempre os mesmos figurões estão no Congresso, o político do DEM fez um convite: “Eu acho que todas as pessoas devem tentar a política. Eu não vejo por que a pessoa ter rejeição à política. As pessoas que formularam a pergunta deveriam ser as primeiras a se filiar a um partido e se lançarem também como candidatos. Por que é que as mesmas figuras às vezes se repetem? Por que é que não se tem essa renovação, já que não é um cargo vitalício? De quatro em quatro anos você tem exatamente o quê? Uma eleição. Então, acho que nada melhor, para estimular o processo eleitoral, do que você ter novas figuras que venham debater, mas também que venham mostrar competência no plenário.” O senador foi além: “Não é apenas ser eleito, é ser eleito e mostrar competência para poder debater. Eu acho que essa é a função do político, é de construir uma legislação, é de opinar sobre temas relevantes, é de antecipar crise, é de ter a coragem e independência moral de assumir posições que não sejam simpáticas em certas horas. É assim que eu faço a política.” O goiano disse como enxerga a atuação pública: “Primeiro você consulta a sua consciência, em segundo lugar você consulta o seu país, em terceiro lugar o seu partido político, aí você decide. É tranquilo, você dorme bem e tem a certeza de que você está falando com a sintonia de que você defende”.

Caiado teria dito, em entrevistas, que gostaria que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fosse candidato para confrontá-lo, como ocorreu em 1989. Ele falou sobre o assunto: “Essa resposta provocou muitas reações no Brasil, a gente tem que explicar o contexto. Eu tenho muito receio de criarmos mitos, como a Argentina criou o Perón, como a Venezuela criou o Chávez, entendeu? Isso é muito ruim.” Ele avançou em sua explicação: “Quando eu coloquei a necessidade de o Lula vir para o debate, porque eu nunca me enganei com o Lula, desde 1989, no debate, eu disse ao Lula, ‘Lula, se um dia você chegar ao poder nós vamos visualizar a mais dramática gestão [por] que o país vai passar. (…) Por que é que eu gostaria? Porque seria o momento de a gente mostrar entre o que ele fez e o que ele falou e a vida dele, entende? Como ele se comporta, como ele é.” Caiado acusou o filho do ex-presidente de ser um grande fazendeiro. O político do DEM ainda acusou: “Qual é a credibilidade de ele falar em pobreza, que é a condição de ele falar que realmente está voltando os olhos para as pessoas mais humildes sendo que assaltou o aposentado, assaltou os fundos de pensão, assaltou a Petrobras, as estatais todas”?

Como médico, Ronaldo Caiado deu sua opinião acerca do Sistema Único de Saúde (SUS): “Em primeiro lugar, o SUS, nós temos que preservá-lo, cada vez mais. Nós temos que botar, também, gestão. Cada vez mais exigir eficiência dos colegas, mas darmos a eles condições para que eles possam fazer o bom exercício da medicina. Sou autor da Emenda Constitucional que propõe um ponto relevante, ou seja, médico como carreira de estado. Por que é que nós não temos hoje especialistas no interior? Por que é que nós não temos um bom cardiologista, um bom neurologista, ortopedista, pediatra no interior do Brasil? Por que as pessoas ficam dependentes do humor e da vontade política do município. Eles não têm estabilidade, eles não têm condições mínimas do exercício ali dentro da Medicina, de poder se manter atualizado na prática da medicina, então se convergem para os grandes centros. Quando você coloca uma carreira de estado, como é um juiz, como é um promotor, você vai dar garantia ao médico especialista em poder se instalar no interior e poder fazer a boa medicina. Essa é a maneira que você tem, não é apenas formando médicos e concentrando nas capitais”.

Questionado sobre a CPI do BNDES, o senador observou: “Olha, nós temos a CPI pelo Senado do BNDES, mas nós temos a CPMI, que é uma Comissão Parlamentar Mista, Câmara e Senado, que é essa específica da JBS. A do BNDES aprovou algumas convocações, mas não tem nenhuma oitiva, ou seja, não tem nenhum depoimento marcado. Já na próxima terça-feira, nós teremos lá no Senado Federal o depoimento de um dos membros da Procuradoria-Geral da República, procurador Angelo [Villela], que vai ter que se explicar como é que foi feita essa troca de informações com a JBS, de que maneira houve a interferência ou anuência, ou se foi facilitado o processo de criar ali a delação premiada, dentro de que regras ela foi construída. É um processo que está iniciando”.

O político do DEM deu sua opinião sobre a política de desarmamento no Brasil: “Eu concordo em rever a política de desarmamento do país, concordo plenamente em rever. Acho que essa matéria tem que ser enfrentada pelo Congresso Nacional, nós temos que rever essa posição hoje. Nós temos hoje uma preocupação enorme, eu acho que a sociedade comunga com o que eu vou dizer aqui. Nós, hoje, estamos sob o comando não do estado brasileiro. O estado brasileiro hoje não entra no Rio de Janeiro, o estado brasileiro não entra hoje no entorno de Brasília, o estado brasileiro não entra hoje nas penitenciárias do Brasil. Quem comanda hoje são as facções no país. Então, nós temos que rever muito da política de segurança no país e botar regras mais rígidas para não nos submetermos a essa situação que estamos vivendo hoje em dia”.

Ronaldo Caiado falou, também, sua opinião acerca de uma ‘intervenção militar’ no país: “Quero me alicerçar aqui na fala do general [Eduardo] Villas Bôas. Ele é um homem cumpridor das regras constitucionais. Ele sequer jamais autorizou dizer isso. Ele é um homem que colocou isso muito claro no Senado Federal e em todas as entrevistas de que participa. Ele é um homem que fala pelas Forças Armadas, pelo Exército Brasileiro, e deixou claro, a função do Exército e das Forças Armadas é de preservar a ordem. (…) Ele está disposto e cumpre normas constitucionais, agora a crise política é responsabilidade dos políticos e nós saberemos achar uma saída para que tenhamos a continuidade tranquila da democracia, com as eleições ocorrendo e resgatando a credibilidade da classe”.

O senador garantiu que, caso não saia candidato à presidência da República, sairá candidato ao governo de seu estado: “Sim, saio candidato ao governo de Goiás. Tenho um orgulho enorme de ser goiano. É um estado que, infelizmente, tem sido muito penalizado por essa gestão que lá está há 20 anos e que realmente sugaram muito o estado e o estado que tem todo o potencial de crescimento vive hoje um momento crítico, que o Tesouro mesmo coloca Goiás como um dos estados mais endividados do país, sem a menor capacidade, hoje, de financiamento. É triste nós assistirmos ao meu estado de Goiás nessa posição”.

Ronaldo Caiado se defendeu das acusações de que pessoas de sua família estariam ligadas à submissão de trabalhadores a condições análogas às de escravo. Ele também foi questionado sobre o porquê de ter votado contra a PEC do Trabalho Escravo: “Você sabe que nunca conseguiram me atingir em nada. Nem no exercício da medicina, nem na política, nem como produtor rural. Então, realmente, as mentiras, as ilações, as calúnias vêm sempre, não existe nada que me desabone. Teve um primo meu que realmente foi citado e que teve a defesa mostrando que, lá, foi muito mais uma fiscalização no sentido de tentar achar alguma coisa que pudesse penalizar o Ronaldo, porque o gerente dele tinha o nome de Ronaldo, e como na região era chamado de Ronaldo dos Caiado, então esse é o motivo. (…) Nunca existiu nada em minhas propriedades, nunca existiu nada que desabonasse o meu convívio e a relação com meus funcionários”.

Sobre a PEC, o político observou: “Você sabe que emenda que instalou a punição do trabalho escravo no setor urbano? Foi minha. A emenda é minha, de minha autoria. O que se diz na PEC é uma coisa só, você jamais pode tirar do cidadão o direito à defesa. Ele tem o direito de recorrer às instâncias para poder ser julgado. Ele não pode ser julgado pelo Ministério do Trabalho”. Ele se defendeu: “Não é por questões ideológicas, é o que a lei manda cumprir. Então, a definição do que seja ou não trabalho análogo ao trabalho escravo não cabe ao Ministério do Trabalho, que ideologicamente estava sustentado pelo governo do Lula. Quem deve julgar se tem trabalho escravo, ou não, é o Poder Judiciário. Então, onde é que existe essa crítica? Nenhuma. É exatamente esse o texto. Tanto é, que o texto aprovado é o meu.” Caiado garantiu: “Ninguém faz apologia e ninguém jamais na vida vai acobertar essa posição de trabalho escravo”.

Ao ser confrontado com a questão da reforma agrária no Brasil, Ronaldo Caiado posicionou-se da seguinte maneira: “O que é que o Caiado fez no país inteiro? Lutou para que nós pudéssemos ter uma reforma agrária onde o cidadão tivesse condições de produzir e viver dignamente. As pessoas quiseram o seguinte,‘então nós vamos criar um assentamento, vamos jogar as pessoas lá, porque pelo menos elas não estão aqui produzindo nenhum problema na cidade’. Mas chega lá, não dá instalações mínimas, eletrificação rural, nem água, nem condições mínimas de comercialização, nem de produção. Querem transformar nessas favelas. Então, o que nós mostramos? O que nós já produzimos hoje e o resultado disso é a implantação de cooperativas, mostrando que nós podemos dar uma sustentação muito maior a esses assentamentos hoje do que dos assentamentos feitos dentro da ideologia do PT, que não têm 10% dos assentamentos emancipados. Isso quer dizer, há 20 anos as pessoas estão lá e até hoje não sobrevivem com o que produzem. Dependem exatamente da cesta básica, então isso não é política de reforma agrária”.

Um internauta estimulou Ronaldo Caiado a falar sobre uma exposição no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) em que houve interação de crianças com um homem nu. “É triste, deprimente. Isso não pode ser chamado arte. Isso não tem nada a ver com arte. Isso é crime. O Estatuto da Criança e do Adolescente prevê exatamente esse tipo de cena que foi feita”, observou Caiado. “É crime, está muito bem detalhado no Estatuto da Criança e do adolescente. Vai preso ali o ator, os responsáveis pelas crianças e quem, realmente, se responsabilizou para que aquela peça fosse colocada”. Ele prosseguiu: “É um desserviço desproporcional na hora em que nós estamos intensificando a legislação contra a pedofilia.” Caiado ainda atacou: “Isso é repugnante. Isso aí é falha do Poder Judiciário, do Ministério Público, eles deveriam responder rapidamente por isso, por omissão de não terem não só interditado como decretado e julgado essas pessoas por prática criminosa, que está prevista em lei”.

Ronaldo Caiado respondeu a pergunta que será feita a todos os presidenciáveis, por que quer ser presidente da República? “Essa ousadia minha começou em 1989, eu tinha 39 anos e era o mais jovem candidato à presidência da República. É um orgulho para todo cidadão brasileiro. Eu acredito sempre no espírito público e ele pode, com exemplo, fazer grandes transformações, mas também eu aprendi no decorrer da vida que tem uma dose alta do destino. Presidência tem uma dose alta do destino”.

O senador do DEM se mostrou favorável à revogação do decreto presidencial que extinguia a Reserva Nacional de Cobre e Associados (Renca): “Sou totalmente favorável à derrubada do decreto que autorizava, até porque é inaceitável, inadmissível aquilo que você viu que estava sendo feito por garimpeiros, uma total desordem e consumo de mercúrio, comprometendo a saúde das pessoas com sequelas inimagináveis.” Para Caiado, o estado brasileiro tinha que acabar com a exploração na Renca de forma definitiva e imediata e “não autorizá-la por qualquer outro meio que viesse a ser provocado”.

Mauro Tagliaferri lembrou ao senador que projeções indicam que o próximo presidente da República herdará uma taxa de desemprego de 12% e um déficit fiscal estimado em mais de 160 bilhões de reais. Diante desse cenário, questionou o jornalista, por que alguém ainda quer ser presidente do Brasil: Caiado, então, ponderou: “É um processo desafiador. Por que eu quero ser cirurgião de coluna quando muitas vezes a pessoa caminha para uma paraplegia?   Quantas pessoas que eu já operei que não se recuperaram e quantas pessoas que vivem dignamente hoje sem escaras, sem problemas pulmonares, renais, e que continuam vivendo? Da mesma maneira, só que como cirurgião você faz um processo artesanal. Você, como político que tem espírito público, faz uma ação que reproduz na melhoria da qualidade de vida de 200 milhões de brasileiros. Essa é que é a importância de ser presidente da República. Esse é que eu acho que é o fato maior de você poder dar exemplo e poder cobrar com que isso seja transmitido para toda a sociedade”.

Ronaldo Caiado criticou o discurso recorrente do ‘não político’, repetido por alguns candidatos que obtiveram êxito nas últimas eleições e se mostrou preocupado que essa retórica leve ao poder alguém despreparado para gerir o país: “Às vezes eu critico um pouco aqueles que chegam na tese só de outsider, ‘não, não sou político’. Essas coisas, não é que me irritam, mas me constrangem um pouco.” Para ele, o candidato que o faz falseia a própria identidade. Ao ser lembrado por Mariana Godoy que o DEM está ‘namorando’ João Doria, que se elegeu prefeito de São Paulo amparado nesse discurso, Caiado observou: “Eu acho que ele vai se corrigir disso rapidamente”.

O senador do DEM comentou a visão ruim que a população tem, atualmente, da classe política e defendeu a si mesmo e aos colegas: “É da má política, Mariana, me ajude nisso pelo amor de Deus. A política é uma atividade nobre, séria. É com a política que você constrói as soluções. Não são atitudes extremadas. A política é uma boa prática, é nobre, agora a má política é o que existe de mais nocivo. Quem é que identifica? O eleitor, em 2018”.

Crédito/Fotos: Divulgação/RedeTV!
Programa na íntegra: http://www.redetv.uol.com.br/jornalismo/marianagodoyentrevista/videos/programas-na-integra/mariana-godoy-recebe-o-presidenciavel-ronaldo-caiado-dem-integra

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